Cistos de Pâncreas: O Que São, Quando Preocupar e Quando Operar
Com os avanços da medicina e o aumento na realização de exames de imagem, é cada vez mais comum encontrar cistos no pâncreas como achado incidental. Na maioria das vezes, essas lesões são benignas, mas algumas podem evoluir para câncer pancreático, exigindo acompanhamento rigoroso ou até mesmo cirurgia.
Neste artigo, explicamos os principais tipos de cistos pancreáticos, como é feito o diagnóstico, quais são os sinais de alerta e quando a cirurgia é indicada.
O que são cistos pancreáticos?
Cistos pancreáticos são coleções de líquido que se formam dentro ou ao redor do pâncreas. Podem ser:
Benignos
Pré-malignos
Malignos (raros)
Eles podem ter origens diferentes — desde alterações inflamatórias (como a pancreatite) até lesões de origem neoplásica. Por isso, a avaliação especializada é essencial.
Principais tipos de cistos pancreáticos
🔹 Cistos pseudocísticos (pseudocistos pancreáticos)
Associados à pancreatite aguda ou crônica
Não são tumores; geralmente desaparecem com o tempo
Podem ser drenados se causarem dor, infecção ou compressão de estruturas
🔹 Cistoadenoma seroso
Lesão benigna, composta por pequenos cistos cheios de líquido claro
Raramente se transforma em câncer
Geralmente não precisa de cirurgia, apenas acompanhamento
🔹 Neoplasia mucinosa papilar intraductal (IPMN)
Pode envolver ducto pancreático principal ou seus ramos
Lesão pré-maligna, com risco de progressão para câncer
A depender de suas características, pode necessitar de cirurgia
🔹 Neoplasia cística mucinosa (MCN)
Mais comum em mulheres, geralmente na cauda do pâncreas
Produz muco e pode evoluir para malignidade
Costuma ser indicada a ressecção cirúrgica
🔹 Cistoadenocarcinoma
Tumor maligno cístico (raro)
Sempre indicado cirurgia
Como é feito o diagnóstico?
A maioria dos cistos é detectada por exames de imagem realizados por outro motivo:
Ultrassonografia abdominal
Tomografia computadorizada com contraste
Ressonância magnética com colangiorressonância (RMCP)
Ultrassonografia endoscópica (ecoendoscopia) – permite avaliar detalhes da parede do cisto, nódulos internos e coletar líquido para análise
Exames complementares:
Dosagem de CEA (antígeno carcinoembrionário) no líquido cístico
Citologia para pesquisa de células malignas
Teste de amilase no conteúdo do cisto (diferencia pseudocistos)
Quando o cisto pancreático é preocupante?
Sinais de alerta para alto risco de malignidade incluem:
Cisto maior que 3 cm
Nódulo sólido ou vegetação na parede do cisto
Comunicação com o ducto pancreático principal dilatado
Sintomas (dor abdominal, icterícia, pancreatite)
Crescimento do cisto ao longo do tempo
A presença de um ou mais desses sinais pode indicar necessidade de cirurgia ou vigilância intensiva.
Quando operar um cisto pancreático?
A cirurgia está indicada nos seguintes casos:
IPMN de ducto principal ou misto com características de risco
Cistos mucinosos (MCN) em pacientes com bom estado geral
Cistos maiores que 3-4 cm com crescimento progressivo
Presença de nódulo mural, espessamento da parede ou sintomas
Indícios de malignidade ou transformação neoplásica
Tipos de cirurgia:
Pancreatectomia distal (para cistos na cauda ou corpo)
Duodenopancreatectomia (Whipple) – para cistos na cabeça
Sempre que possível, por videolaparoscopia ou cirurgia robótica
E se o cisto não precisa de cirurgia?
Nesses casos, realiza-se acompanhamento periódico com imagem, que pode variar de 6 meses a 2 anos, dependendo do tipo e tamanho da lesão.
Conclusão
Cistos pancreáticos são cada vez mais comuns e, embora muitos sejam benignos, alguns têm potencial para evoluir para câncer. Por isso, todo cisto pancreático deve ser avaliado por um especialista em aparelho digestivo para definir a conduta ideal: observar, investigar ou operar.
Se você recebeu o diagnóstico de cisto no pâncreas, não ignore. Agende uma avaliação especializada para entender a natureza da lesão e evitar complicações futuras.